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quarta-feira, 8 de abril de 2015

A morada no abraço

Ele adora essa hora, meio da tarde, quando o sol não está tão alto e tão quente, quando está próximo do pôr do sol. O parque está vazio, ele não se importa, ele podia estar sozinho, que ele não se importaria mesmo assim... ele vai correr, e para isso ele nunca precisou de companhia



Mas dessa vez ele não está só.

Ela veio,  achou um belo lugar para relaxar e ler seu livro. Uma grande árvore está lhe dando sombra... ele não sabe que árvore é ... nunca foi bom em identificá-las, mas quem se importa, podia ser um jacarandá-rei ou uma palmeirazinha... ele só ia olhar para ela. Ela é o plano central do seu quadro, o resto desfoca-se em sua presença. Ela basta para encher os seus olhos.

Sim, ela é linda. E ele está plenamente apaixonado por ela.

Começa a alongar, sempre olhando pra ela... ela começa a folhear o livro que trouxe, algo de Machado com certeza... Helena? Não, esse ela já leu... Esaú e Jacó talvez... bem é Machado, ele tem quase certeza disso. Não importa, pois ela só finge que folheia... ela também o olha de soslaio, o observa alongando, e as vezes o corrige ( o olho clínico dela sempre ativo) ele sorri, e diz : “volta pro seu livro sua marelinha linda” e continua a fazer o alongamento, corrigindo-se lógico, do jeito que ela disse que era o correto.

Depois de um tempo alongando (ele não gosta dessa parte de alongar... quer logo começar a correr) Ele sorri pra ela, ela devolve o gesto com um sorriso calmo, que irradia paz, ele mostra sem falar, apenas acenando com a cabeça que irá correr pela pista ao redor do parque. Ela balança a cabeça concordando. Sem palavras. Só com os olhos eles se entendem... as vezes não existe necessidade de palavras e ele admira isso nos dois... ele a olha, ela devolve o olhar e pronto... ele sabe que ela está lá para ele e ele para ela.

Ele corre.


Isso o enche de prazer, hoje sem música, sem fones, ele trouxe mas deixou ao lado dela. A presença dela hoje o fez ter vontade de correr sem fones... ele quer ouvir as batidas do Tênis no chão. E quer ouvir seus pensamentos...  seus pensamentos nela...

Ele pensa em como ele a ama e corre, percebe sem querer que logo está voando na pista, aumentando a velocidade porque pensou nela... ele quer terminar logo a volta, para vê-la mais uma vez... são três voltas, com isso ele nunca deixa por menos... “menos de 5 km não é corrida” é o que ele sempre diz pra si mesmo... então ele corre, e acerela (assim mesmo errado... ela vai entender...) ele acerela e pensa nos dois. No caminho que percorreram juntos... e agradece a Deus, por tudo, principalmente por tê-la conhecido... Principalmente pelo amor que sente... ele agradece e corre.

Ele passa por ela, ela já tinha visto ele vindo de longe... e o observa correr... e sorri, mas fala alto para que ele ouça : “ corra mais devagar! Tá pulando muito! “

Boba... ela não sabe que ele quer terminar logo a distância da corrida para voltar para seus braços... Boba... se ela soubesse... o quanto ele a ama...

Ele passa e dá língua para ela, depois que passa por ela, corre um pouco mais rápido...

Ela pensa que é descaso de sua recomendação e se chateia, Boba... não sabe que quando ele a viu, a alegria foi tanta, que deu essa energia e vigor que o fez correr mais rápido, mais rápido para acabar a corrida e sentar-se ao lado dela... Boba... Se ela soubesse...

Na próxima volta ele anseia que ela te mande um beijo ou um sorriso mais lindo. Mas dessa vez ela nem levanta a cabeça... chateada ainda... ele fica um pouco triste... o que faz seu passo diminuir... Bobo... ela o olhou quando ele passou e sorriu... sorriu e pensou o quanto o amava... o quanto ele mexia com ela. O quanto ela queria que ele acabasse logo aquela corrida e viesse ficar com ela... Bobo... Se ele soubesse...

Ele corre... e sorri. Porque é a última volta...

Ele termina... vem caminhando, percebe que ela está muito entretida na leitura, e ele percebe que ela não está chateada, sente no ar o clima de paz que a envolve, ela tem isso, ela é paz, ela é amor... ela é calma... ele que é agitado, yin e yang... as vezes ela o completa em algo e vice-versa.

Ele não quer atrapalhar a leitura e contenta-se com a companhia...

Ele senta-se um pouco a frente dela, próximo o bastante para que ela o toque se assim quiser, o base da árvore é uma pequena ladeira, mais alta que a pista em que ele correu, seu cabelo fica na altura das mãos dela...

Ele sente suas mãos antes dela tocá-lo... Bobo, lógico que ela vai trocar a leitura pelos seus beijos, mesmo suado... e ele vai ficar feliz com isso, ela não vê seu rosto, mas sabe que ele sorriu e fechou os olhos quando sua mão tocou em seus cabelos... ela puxa ele pra baixo. Ele deita e a olha. Ele sabe que ela vai beijá-lo, sem dizer nada. Sem pedir, sem avisar ela vai beijá-lo... Ela sabe que ele vai retribuir esse beijo... eles sabem, são bobos, dois bobos, mas sabem que se amam, e nada mais importa, pelo menos no momento, ela inclina-se em sua direção. E eles se beijam.

E no meio do beijo, ele cola sua boca em seu ouvido e cantarola baixinho “ Fica Comigo...” Ela sabe o resto de cor... afinal foi a primeira música que ela cantou para ele.

Ela o abraça

Ele a abraça

Eles se moram ali... um no abraço do outro...




Fin